Vivemos numa sociedade que conspira contra a família. Há quase cinqüenta anos, a sociedade era pró-família. Pouquíssimas famílias tinham TV. Os vizinhos ajudavam na criação dos filhos. Os familiares moravam perto uns dos outros. A escola estava ao lado da família e a ajudava na formação das crianças. As pessoas moravam nas zonas rurais. A mulher dedicava maior tempo à família, especialmente na educação dos filhos.

Hoje é diferente. A mídia é perversa em relação aos valores familiares. Não sabemos se o nosso vizinho é um pedófilo ou um traficante. Vivemos nas grandes cidades onde o anonimato é a marca registrada. As escolas esqueceram a tarefa de formar o cidadão e se preocupam apenas em passar conteúdo e estarem no ranking das que mais aprovam no vestibular. Os parentes moram distantes uns dos outros. Homens e mulheres estão inseridos no mercado de trabalho.

Há cinqüenta anos as igrejas quase não se preocupavam em ministrar às famílias. Não havia tanto necessidade. Hoje é diferente. Requer da igreja uma atenção especial à família, daí a necessidade de um ministério voltado exclusivamente para a família.

Em nossa caminhada, nesses quase doze anos de ministério com famílias, temos visto alguns equívocos. Um deles, por exemplo, é pensar que ministério com famílias é o mesmo que realizar encontro de casais. Encontros de casais é apenas a ponta do iceberg do ministério com casais que vem a ser apenas uma pequena faceta do ministério com famílias.

Outra idéia equivocada é pensar que simplesmente realizar o mês da família, geralmente em maio, está fazendo ministério com famílias.

Ministério com família é muito mais do que isso. Ministério com famílias é, acima de tudo, agregar valor à família. Inclui, é verdade, realizar o mês da família, encontro de casais, congressos, retiros, mas é mais do que isso. Agregar valor à família é, por exemplo, não sobrecarregar as famílias com uma infinidade de reuniões semanais.

Tive o privilégio de prefaciar o livro Ajuda do céu para o seu lar (Editora Habacuc), escrito pelo casal Howard e Jeanne Hendricks. Num dos capítulos Hendricks fala da necessidade da igreja ser parceira da família. E uma das maneiras de ser parceira da família é não sobrecarregá-la com dezenas de reuniões semanais. Isso é um exemplo de agregar valor à família.

Um ministério com família terá como metas realizar eventos para a família, mas essa não é sua tarefa maior. Sua tarefa maior é capacitar homens e mulheres, maridos e esposas, pais e filhos, sogras e noras, avós e netos, a desempenharem seus papéis familiares segundo os princípios bíblicos para que a vida em família seja harmoniosa e agradável. Esse deve ser o propósito maior de um ministério com famílias. Capacitar os maridos serem o tipo de marido descrito, por exemplo, pelo apóstolo Paulo em suas cartas aos efésios e colossenses. Capacitar a mulher a desempenhar de maneira bíblica seus papéis na família que podem ser o de filha, esposa, mãe, sogra e avó.

Com certeza um congresso de famílias pode ser um instrumento usado por Deus para alcançar esse objetivo, e tenho visto Deus usar muitos congressos para atingir esse objetivo, mas uma igreja que deseja ministrar às famílias de forma constante, organizada e bíblica há de se fazer muito mais, durante todos os dias do ano.

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